segunda-feira, 6 de julho de 2015

A Redenção do coração


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Quando pensamos na Redenção que Jesus nós trouxe: se fez homem, se encarnou no seio da Virgem Maria, entregou seu corpo para a morte e morte de cruz. Jesus assumiu a corporeidade humana, e a elevou. A redimiu com seu sangue redentor! Podemos depois disso dizer que a santidade de Deus se debruçou, se aproximou de cada homem e mulher que acredita no que diz o Evangelho de João: "O verbo se fez carne!".
Depois da Redenção de Jesus não podemos viver dando as redeas da nossa vida interior a concupsencia, e sim com o auxilio de tamanha graça que é a ação do Espírito Santo em nos, vivermos como quem foi redimido na vida cotidiana. Pois a redenção é uma graça que precisa ser acolhida.
O Papa João Paulo II nas catequeses da Teologia do corpo fala da Redenção do coração e depois da Redenção do corpo, no ultimo dia. Agora vamos olhar a Redenção do coração. 
O que a Redenção do coração? Você pode se perguntar. 
Será que somente o cumprimento da Lei redime o homem?  
Os fariseus ficam sempre presos na "letra" da Lei, e Jesus vai além, ele quer ver o coração do homem. No Sermão da Montanha Jesus mostra bem isso: “Ouvistes que foi dito: Não cometerás adultério. Eu, porém, digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração“(Mt 5, 27-28).  Surge a partir daí o questionamento: Jesus veio revogar a Lei? E Ele mesmo responde:  “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas: não vim revogá-la, mas completá-la” (Mt 5, 19)
A vivencia plena da Lei se da no interior do coração humano. As palavras de Cristo convidam a uma nova ética, que nos textos das catequese são descritas com o termo ethos.  Essa ética que não é apenas um verniz que deixa bonito por fora, mas atinge o amago do coração humano, trazendo assim a força da Redenção autentica que Jesus. Sendo assim o corpo traz o seu significa mas profundo que é ser dom, ou seja, um dom livre em sua entrega. Como Jesus sendo Deus aceitou se entregar livremente.
Para a redenção é necessário ao domínio de si, uma liberdade interior. “Esse Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor existe liberdade” (2Cor3, 17). O amor só é possível na liberdade, ou seja, no domínio de si, chamado de dom da Temperança. Reconhece o chamado do corpo ao amor, percebe que a exemplo de Jesus o amor é Fiel, Total e fecundo.
O  sermão da Montanha faz uma reviravolta com a moral que se restringia a Lei, em Jesus a moral ganha vida, no sentido existencial, e também no interior do homem. Por isso Jesus chama os fariseus de sepulcros caídos, pois na casca e na aparência a moral impecável, mas no interior tudo estava podre. Assim, portanto, Cristo apela para o homem interior, para o seu coração. 
A concupiscência é o foco de Jesus, ou seja, precisamos estar atento ao nosso interior onde o pecado original deixou marcas, inclinações. O coração adultero que Jesus fala, é aquele que olha, colocando o outro no lugar de objeto, e isso pode acontecer até mesmo dentro do matrimonio. Essa é a revolução ética de que da teologia do corpo. 
O sermão da montanha se observarmos bem sempre começa com: "Felizes os que...", por que a verdadeira ética não deve ser um peso, mas uma caminho para a verdadeira realização pessoal e comunitária. Se queremos  realizarmos-nos como pessoas humanas é preciso saber que o Amor que realiza não trata o outro como objeto. Hoje tudo é considerado amor, mas Jesus não falou nada disso. Sua vida foi pura entrega, Jesus nos redimiu com seu sacrifício na Cruz, para nos ensinar o verdadeiro Amor esse que gera a vida!
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Até a próxima! Paz e bem!

domingo, 7 de junho de 2015

Princípio

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Quando se fala em Teologia do Corpo logo pensamos em família, sexualidade, corpo, mas antes o papa nos leva a refletir sobre as raízes mais profundas da constituição humana. João Paulo II vê na família o fundamento da sociedade. E eu lhe pergunto qual o fundamento da família? Um relacionamento entre um homem e uma mulher, ou seja, um casal de namorados, noivos.

Portanto, chama atenção para o Plano Original de Deus, antes da queda do homem, antes do pecado original. Esse é o homem que Jesus se refere quando é questionado pelos fariseus sobre a questão do divorcio, conforme Mc 10,2: “Foi devido à dureza do vosso coração que ele vos deu essa lei, mas no Princípio não foi assim...”.

Homem do princípio criado a imagem e semelhança de Deus em sua dinâmica de Amor, o homem atual que é chamado de Histórico, por que é marcado pela concupiscência. E por fim, o homem em seu estado glorioso, após a Ressurreição. Em resumo temos o homem criado, redimido e glorificado.
Nesse primeiro ciclo de catequeses em que ele fala do “princípio”, se reflete muito sobre o homem histórico, aquele marcado pela luta para amar em sua autenticidade. Esse homem somos nós! Se não batalharmos com ajuda da graça logo nos esquecemos da nossa sublime vocação a ser dom para o outro em sua igual dignidade. O Amor para o homem histórico passa a ser uma aventura heroica, que só é possível ser vivida plenamente sem o auxilio da graça. É importante destacar que a família está inserida nesse contexto, o matrimonio só existe com a presença da graça santificante do Espírito de Deus.

 Jesus  retoma o livro do Genesis, fazendo memória da Criação, para encontrar as intenções do Criador e o chamado original para o amor humano. Genesis tem duas narrativas da criação, a primeira em Gn 1, chamada de Eloísta, e a segunda Gn 2, 2-25 conhecida como javista. Uma compreensão ampla desses textos é à base da Teologia do Corpo.

Onde vemos a natureza do Matrimonio em ser um “para sempre”, uma comunhão humana que aponta para a comunhão plena vivida na Trindade, em seu caráter Total, fiel e fecundo. Chamado a viver um amor na complementaridade entre masculino e feminino, em sua igual dignidade, mas em vocações distintas. Um termo polêmico que por muito tempo foi acusado de machista, “costela” na verdade não tem o mesmo sentido que essa palavra tem hoje, antigamente não se tinha uma anatomia tão evoluída, então o termo original tem uma conotação de “metade”.

Outro termo a ser destacado é o “ajuda ou auxiliar adequada”, que para nossa língua atual, mas parece um lugar pejorativo e desprivilegiado, mas o termo correto tem em sua raiz uma tradução atual “socorro de Deus”. Mostrando claramente a sublime vocação da mulher no mundo ser o “socorro de Deus”. Talvez por isso Jesus chamasse tanto Maria sua mãe, de Mulher, ou seja, a Nova Eva, aquela que seria a porta voz dessa linda vocação de socorrer a humanidade, não mais filhos de Eva, mas agora de Maria mãe de Jesus.

O homem histórico deve ter sempre em mente a sua redenção em Jesus, que é o novo Adão. No mistério da Salvação, na morte e ressurreição de Jesus, nasce pela Água viva do Espírito Santo, a nova Criação, redimida pelo sangue do Cordeiro imolado livremente por Amor.  

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A Redenção será o nosso próximo tema! Paz e bem!

sexta-feira, 15 de maio de 2015

A Teologia do corpo a a cultura

Como vimos anteriormente à Teologia do corpo é um conjunto de catequeses do Papa João Paulo II em que se dedicou a falar sobre o amor humano. Em um período cheio de revoluções culturais, o homem passa a ser o centro e eixo da cultura, e se deixa de lado o Criador. Um exemplo disso é a revolução sexual, ou até mesmo a tomada da verdade científica, como única. Nitzsche fica famoso como essa frase: "Deus morreu!"nesse clima onde a vida é desvinculada de seu sentido. Em Marx a realização do homem estaria somente no trabalho, a partir desse horizonte histórico não fica difícil entender por que a depressão passou a ser a doença do nosso século, onde o sentido da vida ficou dissolvido nessa cultura da revolta. O papa Paulo VI teve muitas batalhas para publicar sua Encíclica ";Humanae vitae" quando João Paulo II teve oportunidade não teve medo veio ao encontro com sua contra revolução, não uma revolução sexual, não uma revolução trabalhista, mas uma revolução pelo Amor. 
Ai podemos questionar ele era uma ótimo antropólogo, por que chamar de teologia? Por que não chamou de psicologia? Ou qualquer outra abordagem teórica já que sua contribuição foi de grande valor para todas elas. Chamou a de teologia do corpo, pois sua visão de homem foi baseada na Sagrada Escritura, desde Gêneses ao Apocalipse. 
O Evangelho de São João inicia como essa bela expressão: "O Verbo se fez carne" ai já podemos ver que o corpo passa a ser o eixo do projeto salvifico de Deus. Ele remonta o Gênesis para mostrar o plano original que Deus em seu Amor concebeu o homem. 
No olhar do Criador que deposita na criatura sua amor, nascendo ai uma tarefa que lhe cabe por toda a vida, ser para o outro um Dom!
O papa em resposta a uma cultura que coloca o homem no centro de tudo, se esquecendo que a dignidade dele e sua missão transcende ele mesmo, o homem não cabe nessa caixinha apertada dos conceitos científicos. Como vemos em Marx, no comunismo o homem é trabalho, e resume sua realização nisso. Esse como que não se compreende em sua complexidade e seu mistério também não compreende o seu próximo, Sartre chega a dizer: "O inferno são os outros";. O sentido na vida foi se perdendo de sua maior realização que está no amor. Como João Paulo fala no seu livro: "Amor e responsabilidade"
"O Amor é a realização mais completa das possibilidades do homem!(...) tornar se pessoa significa tornar-se livre para doar a própria vida";.
E destaca o valor do Criador ter nos feito homem e mulher é que essa comunhão imita a Trindade claro que de forma limitada. 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Uma introdução a Teologia do Corpo

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Toda quarta feira o Papa faz uma catequese, e nosso querido Papa Francisco tem meditado sobre a Família por causa do Sínodo para a Família, assim também a Teologia do Corpo (TdC) foi um conjunto de catequeses do Papa João Paulo II, de !979 a 1984. Esse conjunto de catequeses sobre o Amor humano, foi um dos primeiros presentes que o pontificado de JPII, e já chegou mostrando sua ousadia e originalidade.  Papa Paulo VI enfrentou muitas batalhas para publicar sua Encíclica “Humanea Vitae”, e o Papa João Paulo I teve um pontificado muito curto. Então uma das primeiras coisas que JPII fez foi dar sua contribuição a essa batalha a favor da vida, ou ainda mas, retomar o plano de Deus para o Amor humano. Se olharmos de perto a vida de Karol Wojtyla, veremos que todo o seu sacerdócio ele teve seus ouvidos atentos aos jovens e as família, e já como bispo já tinha obras escritas, e essas foram as bases para construir essas catequeses. JPII conduz o leitor “ao princípio”, ao momento da criação, na busca pelo plano original de Deus para o Amor entre o Homem e a Mulher. A diferença sexual abre caminho para vencer o que ele chama de “solidão originária”, para buscar a comunhão, segundo o modelo da própria Trindade. Por vezes vou falando alguns termos que podem ainda não estar muito claros, como “princípio”, “solidão originária”, mas vamos com calma, aos poucos vamos visita-las uma a uma. Por que é importante entendermos o contexto para aos poucos entrarmos nas catequeses de fato. E gostaria de partilhar com vocês minha experiência com essas doces palavras do Papa, e como elas chegaram em minhas mãos.

 Na Assembleia Geral da CNBB, em 2004, foi aprovada a publicação em português com o nome de “Homem e mulher o criou”, o livro chega as livraria 20 anos depois da primeira edição em língua Italiana, só aí da para termos uma visão melhor como demorou,  o Papa JPII falecei em Abril de 2005, foi nesse mesmo ano que esse livro caiu em minhas mãos de forma muito providente hoje eu vejo. Mas eu era ainda estudante de psicologia, olhava aquelas palavras e logo me perdia em tantos termos filosóficos, teológicos, antropológicos e até mesmo psicológico. Coloquei aquele calhamaço na estante e sempre olhava ele com paixão, mas caminhava a passos lentos e logo devolvia a estante. Foi indo que até me esqueci, e Deus foi construindo minha história na medida dos passos que eu conseguia dar, estou dizendo tudo isso para que você sempre possa ter em mente que Deus caminha conosco tendo todo carinho de nos esperar em nossas demoras e imaturidades. Ou mesmo como Ele disse aos discípulos de Emaus, “lentos para crer”, é bem assim, na minha lentidão Deus foi trabalhando.

A minha paixão pela TdC vejo que é de todos que a conhecem um pouco mas de perto, uma visão de Homem que dialoga com a fé e a razão, sem confusões, e dando espaço para essa complexidade que é o ser humano em todo o seu mistério inesgotável.  É sempre uma retomada como diz Santo Agostinho “creio para compreender, compreendo para crer”. JPII resume assim: “O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si mesmo um ser incompreensível e sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor” (Encíclica Redemptor hominis).

O tema corporeidade é o eixo da reflexão, mas parte dessa visão de homem integral, que é um todo, e não reduzindo o corpo a pura matéria, nem tão pouco tomar a alma como algo superior. A alma e o corpo são apenas formas de pensar uma só realidade que é a pessoa humana. Novamente visitaremos Agostinho: “Ou se é espiritual até a carne, ou então se torna carnal até o espírito!”
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Damos abertura a essa nova serie com o desejo de receber um retorno seu, sua opinião, sugestões  e duvidas! Até a próxima!

Paz e bem!

domingo, 22 de março de 2015

Matrimonio e santidade

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Me lembro bem de quando era adolescente, achava que para ser santo tinha que ser padre ou freira. Portanto casamento seria para quem não tem a pretensão de querer alcançar a santidade, fica um ar de quem deseja a santidade como alguém muito pretensioso. A santidade é colocada pela cultura atual como uma realidade tão distante de nós.

É só nos aproximarmos um pouco mais, que veremos que não é bem assim. O casamento tem dentro de si todos os fatores importantes para produzir um santo: renuncia, entrega, obração da própria vida em favor do outro, sofrimento. E não é uma vocação de segunda categoria, mas sim uma grande oportunidade para viver o amor que santifica. Por muito tempo criou-se uma ideia errada da vocação ao matrimonio, como se esta fosse para quem não consegue viver o celibato, como se fosse um mal necessário para a preservação da especie. Hoje com alegria, pos Concilio Vaticano II, como o Espírito Santo mesmo prometeu que "nós ensinaria todas as coisas" a luz da sua graça que aos poucos se manifesta por meio da nossa Mãe igreja a verdade revelada sobre a vocação original do ser humano a santidade. Como Deus teve paciência em esperar que o povo da antiga aliança entendesse os dez mandamentos, assim também a revelação vai se dando conforme a humanidade se abre a graça do Espírito Santo. Os dez mandamentos nunca mudaram, mas a compreensão que fazemos dele sim, a ordem de não pecar contra a castidade, não desejar a mulher do próximo, sempre esteve lá na lei, mas se olharmos a caminhada do povo de Deus, veremos o que a monogamia não era considerada um pecado. A partir daí já podemos sentir o que Jesus disse aos discípulos de Emaus: "como sois lerdos para crer" (Lc 24).

   Santidade não é somente para alguns separados, é a vocação de todo ser humano, mesmo que para isso leve um longo caminho de perseverança. Santidade e felicidade são amigas inseparáveis. Também as dificuldades nos santificam ao longo do caminho. Infelizmente muitas vezes temos uma concepção ilusória do que seja um santo. Não é muito raro encontrar pessoas que não veem os santos como gente como nós. Um exemplo lindo que temos são os pais de Santa Teresinha, que serão canonizados, um sinal de que um matrimonio quando vivido na graça santifica. Podemos pensar que estamos engatinhando, temos tanta coisa para superar nossos defeitos e fraquezas, mas não podemos usar isso como muleta. Um fato interessante é que costumamos narrar as maravilhas e milagres na vida do santos e poucas vez ou nenhuma olhamos que suas fraquezas de onde Deus plantou virtudes heroicas e estes regaram essas virtudes com profunda humildade, consciência de suas limitações e da grandeza de Deus. 

Observe bem a vida dos santos de sua devoção, ali está um pecador que não desistiu e acreditou que "onde abundou o pecado, superabundou a graça" (Rm 5). Um padre chamado João Mahana, narra historias interessantes sobre as fraqueza dos santos. Ele conta que Santo Inácio de Loyola fraturou a perna, logo se restabeleceu, mas ficou manco, com uma perna maior que a outra. Mandou quebrar a perna novamente para conseguir o seu jeito de andar correto. Lembrando que não havia muitas opções de anestesia em sua época. No entanto se você conhecer bem toda a sua trajetória vai ver que terminou sua vida com uma humildade heroica, fundou uma linda congregação. São Vicente por exemplo que sempre será para nós exemplo de amor aos pobres, nem sempre foi assim, quando era seminarista negava-se a receber o pai no seminário, para ocultar sua origem humilde, mas tarde fez questão de apresentar o pai diante de todos os nobres da corte mostrando como ele venceu sua fraqueza. 

Santa Teresinha tinha uma natureza individualista, vaidosa, e se tornou modelo de modéstia, autenticidade, que em nove anos de vida religiosa transbordou amor heroico. São Felipe de Néri não tinha limites em suas palhaçadas, um dia se aproveitando que os padres e seminaristas estavam na capela, despejou o tinteiro na pia de água benta, enquanto ao meio dia todos se benziam maquinalmente, cabisbaixos, concentrados mas na fome do que no gesto. Da para imaginar o que aconteceu no refeitório! Pois este mesmo se tornou um conselheiro espiritual, suave e austero como poucos. Conseguiu colocar toda essa peraltice a serviço do amor. 

São João Vianey era considerado com dificuldades intelectuais, Cura d'Ars para a surpresa de todos depois da sua morte descobriu-se que sua biblioteca tinha mais de trezentos volumes, todos lidos e anotados. Hoje já se sabe que ela estudava muito para fazer seus sermões. Percebe-se aí um esforço heroico e uma grande abertura que possibilitava o afloramento de dons sobrenatuais, como Paulo mesmo nos falava "Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens (...) Deus escolhe os fracos para confundir os fortes" (conf. I Cor 1, 25). Seria imensa a lista desde Santo Agostinho a Madre Teresa de Calcutá todo santo tem um empurrão a nos dar, nos motivando a acreditar que é possível vencer nossos espinhos com a graça de Deus. 

A busca pela santidade não quer dizer que nossa família não tem defeitos e dificuldades, pelo contrario, como vemos na vida dos santos a santidade é uma luta permanece até o ultimo minuto, mas erramos quando pensamos que nossas fraquezas são capazes de nos separar do Amor de Deus, é bem ao contrario. Quem luta até o fim não é um predestinado, mas sim um lutador. E essa é a lição de cada santo ou santa, casado ou solteiro, cada um com seu jeito único de nos apontar com sua vida: Que Deus é capaz de fazer qualquer tipo de pessoa um santo, basta que essa pessoa se abra a essa ação redentora. Como também é muito comum pessoas com grande pontencial sucumbirem em sua arrogância, achando se capazes de ser bom sozinho, como o jovem rico que Jesus encontrou, e mesmo com tudo para ser santo. Não foi capaz de se desapegar de si e do que julgava ter de tão valioso. 

 A luta é a nossa parte, a vitória vem de Deus! Talvez viver em família, seja um grande exemplo de luta, para perseverar. Na vida dos santos podemos ver que nenhum deles teve uma vitória fácil, pois isso iria comprometer o seu desenvolvimento interior, e é assim também como todo família que busca a santidade. Não precisamos esconder nossas fraquezas, ao contrario para perseverar é preciso saber bem do "barro em que somos feitos" e também nunca duvidar da misericórdia e do Amor de Deus que tudo pode transformar. 
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Paz e bem!

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Dia Internacional da Mulher

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       Mulher, tema vasto que permeia toda a Bíblia do Gênese ao Apocalipse. Família nenhuma nesse mundo cresce e se desenvolve sem uma mulher, nem mesmo Jesus quis nascer de outro jeito, tamanho mistério envolto na maternidade. E quando refletimos sobre a maternidade é inevitável esbarar nesse documento tão profundo que é a Carta apostólica Mulieris Dignitatem, ou seja, Dignidade da mulher, do nosso querido Beato João Paulo II. Ele fala sobre a vocação da mulher e seu primeiro chamado específico: a maternidade. Toda mulher traz em si a graça de gerar vida! Historicamente o feminismo colocou a maternidade como uma ameaça a liberdade e a realização da mulher, o papa coloca a maternidade como o centro da realização da mulher, mesmo que está não tenha filhos, a maternidade é um mistério não apenas físico mas espiritual.
O amor pode ser para nós cada vez mais podado pelo egoísmo ou cada promovido pela generosidade. No mistério da maternidade a mulher é chamada a se doar pelo outro de forma generosa, não necessariamente é preciso "dar a luz", mas sim dar-se como luz. No fim seremos julgados pelo amor, como tem sido nossa forma de amar? Temos marcas de generosidade ou de egoísmo? Vale pensar!

Nosso modelo de Mulher é Maria, com seu amor generoso e incondicional. Convido você a tomar Maria pelas mãos e conduzido por essa mulher adentrar esse mistério de amor, que é a vida humana, onde Deus plantou tesouros inesgotáveis de Salvação.

Um dia ela ainda muito jovem, apesar de não ter se relacionado sexualmente com homem algum, estava noiva, quando para ela um anjo apareceu e disse que Ela era escolhida para estar grávida e que não temesse, pois "A Deus nada é impossível!" Esse dia sempre será Bem-aventurado, essa mulher medianeira de todas as graças, de Nazaré ousou dizer: "Faça-se em mim segundo a Tua Palavra!" A Palavra se fez carne e hoje habita entre nós.

Esse dia é um clamor pela defesa da Vida, em meio a nossa cultura de Morte, em uma sociedade que busca fazer somente o seu querer individualista. Uma mulher aceitou fazer a vontade de Deus, entregou seus planos e sonhos nas mãos de um Deus que ainda não tinha rosto, mal sabia ela que Ele seria o "Rosto divino do homem e o rosto humano de Deus".

Uma gravidez não planejada humanamente, mais desejada grandemente pela Trindade em seu Amor infinito, e acolhida pela Mãe das nações, a nova Eva,  em um mundo que hoje mata o que não são planejados, que não raramente estando diante de uma gestante, só sabem indagar: Coitada! Tenho a sensação de que o dia da Mulher é uma abertura ao clamor pela defesa da vida, que enxerga o nascimento de um ser como um milagre. Eu e você somos chamados a gerar Jesus, ele quer nasce em cada mulher, sendo ela quem for, talvez nascendo em mulheres que tenham muito o que caminhar. Montadas atravessar em burrinhos, desertos de incompreensão, dificuldades em não encontrar um lar, trabalho, amor, amparo para as dores de seus partos, recebendo portas fechadas, estábulos e cochos, que façam destes desafios terrenos férteis para Amor que transforma, que faz nascer as melhores rosas em rocha seca.
 Maria, Mulher de Nazaré tua vida grita, seu exemplo leva a dizer sim incondicional a Vida!

“A paz é fruto da Justiça”

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        Quem não quer um mundo mais fraterno e seguro? Você e eu... diríamos SIM. Mais então por onde começar essa construção? Qual seria a melhor base? Não haveria tema mais relevante para refletirmos nesta quaresma, como o da Campanha da Fraternidade 2009. que nos convida a lançar os olhos sobre a Segurança Pública, com o lema “A paz é fruto da Justiça” (Is 32,17). O tema foi escolhido a pedido da pastoral carcerária. Dentro deste contexto atual que vivemos não podemos nos esquecer de nossos irmãos e irmãos que estão presos, encarcerados. A voz de João Paulo II em sua mensagem ao Jubileu dos Cárceres fica forte:

“Ao pensar nesses irmãos e irmãs, quero antes de mais desejar-lhes que o Ressuscitado, que entrou no Cenáculo estando às portas fechadas, possa entrar em todas as prisões do mundo e ser acolhido nos corações, levando a todos a paz e serenidade” (Mensagem para o Jubileu dos Cárceres).
            Jesus não anuncia uma paz zen, mais uma Paz inquietante e comprometida com o irmão, Paz que custa lagrimas, luta, e renuncias. Podemos pensar em muitas soluções e alternativas para um mundo mais justo e fraterno, mas todas anseiam por valores cristãos, bases sólidas, para que com o tempo não entrem em “crise”.
            A sociedade não pode negar que muitas  medidas tomadas para manter a segurança precisam ser revistas, mas as prisões tem sido alvo de grandes discussões sociais. Saliento aqui a urgência dos valores cristãos para que possamos caminhar em direção a uma realidade mais fraterna. João Paulo II nos aponta: “Em vários casos, os problemas que criam parecem maiores que aqueles que procuram resolver”. As cadeias cada vez mais cheias são exemplo do fracasso dos valores vigentes no nosso mundo. Neste ano paulino, São Paulo nos orienta: “O mundo anseia pela manifestação dos filhos de Deus”, clama por valores, já que a crise financeira é só um ponto da crise maior de valores.
            Caminhar é preciso, mas na direção certa, na retomada de valores que dignifiquem o ser humano. É um longo percurso onde “Jesus é um paciente companheiro de viagem, que sabe respeitar os tempos e os ritmos do coração humano, embora não se canse de encorajar cada um a caminhar para a meta da Salvação” (Idem).

            Profetas como João Paulo II, nos motivam a rezar e  a viver os valores cristãos, pois uma vida em Deus, por si só já é Vida que Liberta.
 
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