segunda-feira, 4 de maio de 2015

Uma introdução a Teologia do Corpo

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Toda quarta feira o Papa faz uma catequese, e nosso querido Papa Francisco tem meditado sobre a Família por causa do Sínodo para a Família, assim também a Teologia do Corpo (TdC) foi um conjunto de catequeses do Papa João Paulo II, de !979 a 1984. Esse conjunto de catequeses sobre o Amor humano, foi um dos primeiros presentes que o pontificado de JPII, e já chegou mostrando sua ousadia e originalidade.  Papa Paulo VI enfrentou muitas batalhas para publicar sua Encíclica “Humanea Vitae”, e o Papa João Paulo I teve um pontificado muito curto. Então uma das primeiras coisas que JPII fez foi dar sua contribuição a essa batalha a favor da vida, ou ainda mas, retomar o plano de Deus para o Amor humano. Se olharmos de perto a vida de Karol Wojtyla, veremos que todo o seu sacerdócio ele teve seus ouvidos atentos aos jovens e as família, e já como bispo já tinha obras escritas, e essas foram as bases para construir essas catequeses. JPII conduz o leitor “ao princípio”, ao momento da criação, na busca pelo plano original de Deus para o Amor entre o Homem e a Mulher. A diferença sexual abre caminho para vencer o que ele chama de “solidão originária”, para buscar a comunhão, segundo o modelo da própria Trindade. Por vezes vou falando alguns termos que podem ainda não estar muito claros, como “princípio”, “solidão originária”, mas vamos com calma, aos poucos vamos visita-las uma a uma. Por que é importante entendermos o contexto para aos poucos entrarmos nas catequeses de fato. E gostaria de partilhar com vocês minha experiência com essas doces palavras do Papa, e como elas chegaram em minhas mãos.

 Na Assembleia Geral da CNBB, em 2004, foi aprovada a publicação em português com o nome de “Homem e mulher o criou”, o livro chega as livraria 20 anos depois da primeira edição em língua Italiana, só aí da para termos uma visão melhor como demorou,  o Papa JPII falecei em Abril de 2005, foi nesse mesmo ano que esse livro caiu em minhas mãos de forma muito providente hoje eu vejo. Mas eu era ainda estudante de psicologia, olhava aquelas palavras e logo me perdia em tantos termos filosóficos, teológicos, antropológicos e até mesmo psicológico. Coloquei aquele calhamaço na estante e sempre olhava ele com paixão, mas caminhava a passos lentos e logo devolvia a estante. Foi indo que até me esqueci, e Deus foi construindo minha história na medida dos passos que eu conseguia dar, estou dizendo tudo isso para que você sempre possa ter em mente que Deus caminha conosco tendo todo carinho de nos esperar em nossas demoras e imaturidades. Ou mesmo como Ele disse aos discípulos de Emaus, “lentos para crer”, é bem assim, na minha lentidão Deus foi trabalhando.

A minha paixão pela TdC vejo que é de todos que a conhecem um pouco mas de perto, uma visão de Homem que dialoga com a fé e a razão, sem confusões, e dando espaço para essa complexidade que é o ser humano em todo o seu mistério inesgotável.  É sempre uma retomada como diz Santo Agostinho “creio para compreender, compreendo para crer”. JPII resume assim: “O homem não pode viver sem amor. Ele permanece para si mesmo um ser incompreensível e sua vida é destituída de sentido, se não lhe for revelado o amor” (Encíclica Redemptor hominis).

O tema corporeidade é o eixo da reflexão, mas parte dessa visão de homem integral, que é um todo, e não reduzindo o corpo a pura matéria, nem tão pouco tomar a alma como algo superior. A alma e o corpo são apenas formas de pensar uma só realidade que é a pessoa humana. Novamente visitaremos Agostinho: “Ou se é espiritual até a carne, ou então se torna carnal até o espírito!”
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Damos abertura a essa nova serie com o desejo de receber um retorno seu, sua opinião, sugestões  e duvidas! Até a próxima!

Paz e bem!

domingo, 22 de março de 2015

Matrimonio e santidade

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Me lembro bem de quando era adolescente, achava que para ser santo tinha que ser padre ou freira. Portanto casamento seria para quem não tem a pretensão de querer alcançar a santidade, fica um ar de quem deseja a santidade como alguém muito pretensioso. A santidade é colocada pela cultura atual como uma realidade tão distante de nós.

É só nos aproximarmos um pouco mais, que veremos que não é bem assim. O casamento tem dentro de si todos os fatores importantes para produzir um santo: renuncia, entrega, obração da própria vida em favor do outro, sofrimento. E não é uma vocação de segunda categoria, mas sim uma grande oportunidade para viver o amor que santifica. Por muito tempo criou-se uma ideia errada da vocação ao matrimonio, como se esta fosse para quem não consegue viver o celibato, como se fosse um mal necessário para a preservação da especie. Hoje com alegria, pos Concilio Vaticano II, como o Espírito Santo mesmo prometeu que "nós ensinaria todas as coisas" a luz da sua graça que aos poucos se manifesta por meio da nossa Mãe igreja a verdade revelada sobre a vocação original do ser humano a santidade. Como Deus teve paciência em esperar que o povo da antiga aliança entendesse os dez mandamentos, assim também a revelação vai se dando conforme a humanidade se abre a graça do Espírito Santo. Os dez mandamentos nunca mudaram, mas a compreensão que fazemos dele sim, a ordem de não pecar contra a castidade, não desejar a mulher do próximo, sempre esteve lá na lei, mas se olharmos a caminhada do povo de Deus, veremos o que a monogamia não era considerada um pecado. A partir daí já podemos sentir o que Jesus disse aos discípulos de Emaus: "como sois lerdos para crer" (Lc 24).

   Santidade não é somente para alguns separados, é a vocação de todo ser humano, mesmo que para isso leve um longo caminho de perseverança. Santidade e felicidade são amigas inseparáveis. Também as dificuldades nos santificam ao longo do caminho. Infelizmente muitas vezes temos uma concepção ilusória do que seja um santo. Não é muito raro encontrar pessoas que não veem os santos como gente como nós. Um exemplo lindo que temos são os pais de Santa Teresinha, que serão canonizados, um sinal de que um matrimonio quando vivido na graça santifica. Podemos pensar que estamos engatinhando, temos tanta coisa para superar nossos defeitos e fraquezas, mas não podemos usar isso como muleta. Um fato interessante é que costumamos narrar as maravilhas e milagres na vida do santos e poucas vez ou nenhuma olhamos que suas fraquezas de onde Deus plantou virtudes heroicas e estes regaram essas virtudes com profunda humildade, consciência de suas limitações e da grandeza de Deus. 

Observe bem a vida dos santos de sua devoção, ali está um pecador que não desistiu e acreditou que "onde abundou o pecado, superabundou a graça" (Rm 5). Um padre chamado João Mahana, narra historias interessantes sobre as fraqueza dos santos. Ele conta que Santo Inácio de Loyola fraturou a perna, logo se restabeleceu, mas ficou manco, com uma perna maior que a outra. Mandou quebrar a perna novamente para conseguir o seu jeito de andar correto. Lembrando que não havia muitas opções de anestesia em sua época. No entanto se você conhecer bem toda a sua trajetória vai ver que terminou sua vida com uma humildade heroica, fundou uma linda congregação. São Vicente por exemplo que sempre será para nós exemplo de amor aos pobres, nem sempre foi assim, quando era seminarista negava-se a receber o pai no seminário, para ocultar sua origem humilde, mas tarde fez questão de apresentar o pai diante de todos os nobres da corte mostrando como ele venceu sua fraqueza. 

Santa Teresinha tinha uma natureza individualista, vaidosa, e se tornou modelo de modéstia, autenticidade, que em nove anos de vida religiosa transbordou amor heroico. São Felipe de Néri não tinha limites em suas palhaçadas, um dia se aproveitando que os padres e seminaristas estavam na capela, despejou o tinteiro na pia de água benta, enquanto ao meio dia todos se benziam maquinalmente, cabisbaixos, concentrados mas na fome do que no gesto. Da para imaginar o que aconteceu no refeitório! Pois este mesmo se tornou um conselheiro espiritual, suave e austero como poucos. Conseguiu colocar toda essa peraltice a serviço do amor. 

São João Vianey era considerado com dificuldades intelectuais, Cura d'Ars para a surpresa de todos depois da sua morte descobriu-se que sua biblioteca tinha mais de trezentos volumes, todos lidos e anotados. Hoje já se sabe que ela estudava muito para fazer seus sermões. Percebe-se aí um esforço heroico e uma grande abertura que possibilitava o afloramento de dons sobrenatuais, como Paulo mesmo nos falava "Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens (...) Deus escolhe os fracos para confundir os fortes" (conf. I Cor 1, 25). Seria imensa a lista desde Santo Agostinho a Madre Teresa de Calcutá todo santo tem um empurrão a nos dar, nos motivando a acreditar que é possível vencer nossos espinhos com a graça de Deus. 

A busca pela santidade não quer dizer que nossa família não tem defeitos e dificuldades, pelo contrario, como vemos na vida dos santos a santidade é uma luta permanece até o ultimo minuto, mas erramos quando pensamos que nossas fraquezas são capazes de nos separar do Amor de Deus, é bem ao contrario. Quem luta até o fim não é um predestinado, mas sim um lutador. E essa é a lição de cada santo ou santa, casado ou solteiro, cada um com seu jeito único de nos apontar com sua vida: Que Deus é capaz de fazer qualquer tipo de pessoa um santo, basta que essa pessoa se abra a essa ação redentora. Como também é muito comum pessoas com grande pontencial sucumbirem em sua arrogância, achando se capazes de ser bom sozinho, como o jovem rico que Jesus encontrou, e mesmo com tudo para ser santo. Não foi capaz de se desapegar de si e do que julgava ter de tão valioso. 

 A luta é a nossa parte, a vitória vem de Deus! Talvez viver em família, seja um grande exemplo de luta, para perseverar. Na vida dos santos podemos ver que nenhum deles teve uma vitória fácil, pois isso iria comprometer o seu desenvolvimento interior, e é assim também como todo família que busca a santidade. Não precisamos esconder nossas fraquezas, ao contrario para perseverar é preciso saber bem do "barro em que somos feitos" e também nunca duvidar da misericórdia e do Amor de Deus que tudo pode transformar. 
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Paz e bem!

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Dia Internacional da Mulher

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       Mulher, tema vasto que permeia toda a Bíblia do Gênese ao Apocalipse. Família nenhuma nesse mundo cresce e se desenvolve sem uma mulher, nem mesmo Jesus quis nascer de outro jeito, tamanho mistério envolto na maternidade. E quando refletimos sobre a maternidade é inevitável esbarar nesse documento tão profundo que é a Carta apostólica Mulieris Dignitatem, ou seja, Dignidade da mulher, do nosso querido Beato João Paulo II. Ele fala sobre a vocação da mulher e seu primeiro chamado específico: a maternidade. Toda mulher traz em si a graça de gerar vida! Historicamente o feminismo colocou a maternidade como uma ameaça a liberdade e a realização da mulher, o papa coloca a maternidade como o centro da realização da mulher, mesmo que está não tenha filhos, a maternidade é um mistério não apenas físico mas espiritual.
O amor pode ser para nós cada vez mais podado pelo egoísmo ou cada promovido pela generosidade. No mistério da maternidade a mulher é chamada a se doar pelo outro de forma generosa, não necessariamente é preciso "dar a luz", mas sim dar-se como luz. No fim seremos julgados pelo amor, como tem sido nossa forma de amar? Temos marcas de generosidade ou de egoísmo? Vale pensar!

Nosso modelo de Mulher é Maria, com seu amor generoso e incondicional. Convido você a tomar Maria pelas mãos e conduzido por essa mulher adentrar esse mistério de amor, que é a vida humana, onde Deus plantou tesouros inesgotáveis de Salvação.

Um dia ela ainda muito jovem, apesar de não ter se relacionado sexualmente com homem algum, estava noiva, quando para ela um anjo apareceu e disse que Ela era escolhida para estar grávida e que não temesse, pois "A Deus nada é impossível!" Esse dia sempre será Bem-aventurado, essa mulher medianeira de todas as graças, de Nazaré ousou dizer: "Faça-se em mim segundo a Tua Palavra!" A Palavra se fez carne e hoje habita entre nós.

Esse dia é um clamor pela defesa da Vida, em meio a nossa cultura de Morte, em uma sociedade que busca fazer somente o seu querer individualista. Uma mulher aceitou fazer a vontade de Deus, entregou seus planos e sonhos nas mãos de um Deus que ainda não tinha rosto, mal sabia ela que Ele seria o "Rosto divino do homem e o rosto humano de Deus".

Uma gravidez não planejada humanamente, mais desejada grandemente pela Trindade em seu Amor infinito, e acolhida pela Mãe das nações, a nova Eva,  em um mundo que hoje mata o que não são planejados, que não raramente estando diante de uma gestante, só sabem indagar: Coitada! Tenho a sensação de que o dia da Mulher é uma abertura ao clamor pela defesa da vida, que enxerga o nascimento de um ser como um milagre. Eu e você somos chamados a gerar Jesus, ele quer nasce em cada mulher, sendo ela quem for, talvez nascendo em mulheres que tenham muito o que caminhar. Montadas atravessar em burrinhos, desertos de incompreensão, dificuldades em não encontrar um lar, trabalho, amor, amparo para as dores de seus partos, recebendo portas fechadas, estábulos e cochos, que façam destes desafios terrenos férteis para Amor que transforma, que faz nascer as melhores rosas em rocha seca.
 Maria, Mulher de Nazaré tua vida grita, seu exemplo leva a dizer sim incondicional a Vida!

“A paz é fruto da Justiça”

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        Quem não quer um mundo mais fraterno e seguro? Você e eu... diríamos SIM. Mais então por onde começar essa construção? Qual seria a melhor base? Não haveria tema mais relevante para refletirmos nesta quaresma, como o da Campanha da Fraternidade 2009. que nos convida a lançar os olhos sobre a Segurança Pública, com o lema “A paz é fruto da Justiça” (Is 32,17). O tema foi escolhido a pedido da pastoral carcerária. Dentro deste contexto atual que vivemos não podemos nos esquecer de nossos irmãos e irmãos que estão presos, encarcerados. A voz de João Paulo II em sua mensagem ao Jubileu dos Cárceres fica forte:

“Ao pensar nesses irmãos e irmãs, quero antes de mais desejar-lhes que o Ressuscitado, que entrou no Cenáculo estando às portas fechadas, possa entrar em todas as prisões do mundo e ser acolhido nos corações, levando a todos a paz e serenidade” (Mensagem para o Jubileu dos Cárceres).
            Jesus não anuncia uma paz zen, mais uma Paz inquietante e comprometida com o irmão, Paz que custa lagrimas, luta, e renuncias. Podemos pensar em muitas soluções e alternativas para um mundo mais justo e fraterno, mas todas anseiam por valores cristãos, bases sólidas, para que com o tempo não entrem em “crise”.
            A sociedade não pode negar que muitas  medidas tomadas para manter a segurança precisam ser revistas, mas as prisões tem sido alvo de grandes discussões sociais. Saliento aqui a urgência dos valores cristãos para que possamos caminhar em direção a uma realidade mais fraterna. João Paulo II nos aponta: “Em vários casos, os problemas que criam parecem maiores que aqueles que procuram resolver”. As cadeias cada vez mais cheias são exemplo do fracasso dos valores vigentes no nosso mundo. Neste ano paulino, São Paulo nos orienta: “O mundo anseia pela manifestação dos filhos de Deus”, clama por valores, já que a crise financeira é só um ponto da crise maior de valores.
            Caminhar é preciso, mas na direção certa, na retomada de valores que dignifiquem o ser humano. É um longo percurso onde “Jesus é um paciente companheiro de viagem, que sabe respeitar os tempos e os ritmos do coração humano, embora não se canse de encorajar cada um a caminhar para a meta da Salvação” (Idem).

            Profetas como João Paulo II, nos motivam a rezar e  a viver os valores cristãos, pois uma vida em Deus, por si só já é Vida que Liberta.

Redenção

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Talvez não seja Boa Nova para você saber que Jesus nos redime com seu sangue na Cruz. De uma forma paradoxal ele nós deu a possibilidade de aceitarmos ser lavados e alvejados pelo seu próprio sangue, cada um de nós em nossa singularidade, e ao mesmo tempo a humanidade inteira. Um amor que ama o mundo, mais que não pode ser amor se não adentrar a cada um de nós em nossa intimidade pessoal. Em nosso dia a dia entender a redenção não passa somente pela intelectualidade, mais pela nossa experiência, de sermos redimidos, atravessados pela redenção. Fico esperando que até esse presente momento quem aqui lê esteja com seu coração aberto para esse tal Jesus.
Em vários momentos da minha vida, como você não é difícil perceber Ele nós redimindo, curando nossas feridas, permitindo que façamos nossas escolhas, mesmo que essas não fossem as que Ele faria. Bem que eu tendo não falar mais em maternidade, família, amor, existência, mais não consigo. Retorno a você com um olhar de quem acredita piamente que a Família precisa acolher a Redenção do Cordeiro. Mesmo que de inicio lhe pareça estranho, tento nessas linhas refletir e aproximar a maternidade e paternidade a Via Sacra que Jesus caminhou até ser morto por Amor.
Se tentássemos retirar desse caminho a dor, talvez só restasse amor, pois a Redenção nós ensina, a viver o sofrimento como algo redentor desde que este seja acolhido e não criado. Para cada mãe e pai de família cada estação tem suas dores e passos de amor. Quão semelhando esses dois caminhos sagrados, Via Sacra de dor e amor. Tem santas ceias, beijos amargos, pregos, cortes e feridas. Por vezes silêncios nobres, outras vezes gritos: “Pai por que me abandonastes”, cada frase de Jesus nesse caminho nos ensina a ser mais gente, nos ensina a de verdade viver o sofrimento do qual não podemos fugir. O amor de mãe e treinado na gratuidade, a exemplo de Jesus na Cruz. A graça do amor em família só poder ser fecundo quando nasce da gratuidade. E não se esqueça que o Amor de Deus é a própria gratuidade. Nossas famílias precisam ser discípulas e missionárias, para isso nossa escola é a Via Sacra.  Sendo você filho ou pai, mãe, todo sofrimento na sua vida pode ser sim Redentor ou Infértil.

Pascoa, 2004!



No cárcere


“Temos o triste privilégio – afirmam – e paradoxalmente a graça de ser testemunhas de que muitas das prisões de nosso continente são recintos inumanos, caracterizados pelo comércio de armas, drogas, amontoamentos, torturas, crime organizado e ausência de programas de humanização (cf. Aparecida, 427).”

Fez-me pensar, esse trecho do documento de Aparecida: Nessa realidade estão os nossos presídios, mais não sei se todos têm esse “privilégio” de saber como é a vida de um presidiário em nossa sociedade. Atualmente tenho trabalhado em uma casa da Comunidade Aliança de Misericórdia, Casa Filho Pródigo. Onde meninos menores de 18 anos cumprem suas penas em liberdade assistida, ou suas medidas sócio-educativas, devido a algum descumprimento da lei. No inicio do ano completa um ano que estou lá. Alfenas uma cidade do interior do sul de Minas, cheia de universitário, festas. A pouco tempo inalgurado na cidade o novo presídio. Os meninos que atendo relatam suas experiências lá dentro, o uso de drogas, a violência, a discriminação, e tudo que não produziria nada de bom no coração humano, nem mesmo em um animal.
            Sempre me pego pensando sobre esse contexto, em um desses meus devaneios, tive em mãos o Mensagem de João Paulo II para o Jubileu nos Cárceres, nossa quanta sabedoria, abriu um horizonte de reflexão infinito. Uma dessas reflexões me trouxe até aqui para partilhar com você blogueiro.

“Ao pensar nesses irmãos e irmãs, quero antes de mais desejar-lhes que o Ressuscitado, que entrou no Cenáculo estando às portas fechadas, possa entrar em todas as prisões do mundo e ser acolhido nos corações, levando a todos a paz e a serenidade” (Iden).

Essas palavras de JP II levantam a possibilidade de um pentecoste no contexto das prisões, ele vai a fundo nesse horizonte.

“Jesus é um paciente companheiro de viagem, que sabe respeitar os tempos e os ritmos do coração humano, embora não se canse de encorajar cada um a caminhar para a meta da salvação” (Iden).

Cada escuta que faço me faz lembrar essa frase de JP II, e me ensina como caminhar com eles sem desrespeita seu tempo e suas possibilidades. Meninos que em suas escolhas vão escrevendo suas histórias de luta, sofrimento, vendo a sua dignidade se esvaziar por entre os dedos. Tendo como norte essa mensagem de JP II, podemos ver que o cárcere pode ter um cunho de reflexão, mas também “em vários casos, os problemas que cria parecem maiores que aqueles que procurávamos resolver” (Iden).
            “Vexames infligidos, por vezes, aos presos por discriminação étnica, sociais, econômicas, sexuais, políticas e religiosas... torna-se um lugar de violência parecido com aqueles ambientes de onde, não raro, os reclusos provem. Isso inutiliza como é evidente, todo esforço educativo das medidas de detenção” (Iden).

Temos muito o que pensar apartir disso... 

Jubileu dos presidiários, Ano de 2000!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Espiritualidade conjugal

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      Se você tem nos acompanhado nesse caminho, já percorremos muitos cômodos importante dessa edificação que é o casamento. Hoje te convido a debruçar-se sob a lareira do casal que é a espiritualidade, de onde emana calor e aconchego. Essa é a chama que mantem viva o amor. O amor humano não se sustenta por si mesmo, fechado nos dois o casal logo se esvazia de sentido. O amor pede uma abertura ao transcendente, ou seja, elevar-se, superar.
Como seria possível então uma lareira que não se apague?

     Uma coisa é certa, só o Espirito Santo de Deus é capaz de fazer essa proeza. Como diz o trecho de Gênesis: "E sereis uma só carne" (Gn 2,24) é um imperativo que fica por conta do Espirito Santo, só Ele é capaz de fazer essa unidade de amor. A espiritualidade conjugal é descrita assim pelo nosso querido Pe. Léo:
  
  "É aprender, do Espírito, como viver conjugado, unido, é para ser vivido na carne, situado no tempo e no espaço. Uma graça que santifica o casal, não apesar da vida conjugal, mas por meio dela. O amor conjugal precisa mostrar para o mundo esse amor apaixonado de Deus pela humanidade"

        É como rezar em família, viver o amor em pequenos gestos, ir a Santa Missa, se alimentar de Jesus em seu Corpo e Sangue e em contra partida, deixar-se ser alimento uns para os outros. Cada família vai construindo sua identidade na vivencia da espiritualidade, transborda do casal para os filhos. Cada membro da família deve buscar respeitar a velocidade dos passos de cada um, com paciência, uns andam velozes, outros a passos lentos. Uma espiritualidade familiar autentica não pode nos levar a julgar onde o outro se encontra, mas como Paulo, deve nos mover a dizer: "importa é prosseguir decididamente" (Fl 3,16), no dialogo, no respeito as diferenças e etapas em que cada um esteja vivendo em sua espiritualidade pessoal. 

A espiritualidade não tem somente a função de "espiritualizar", mas sim, nos tornar cada vez mais humanos. Permitindo assim que a ação do Espirito Santo esteja presente em nossa vida concreta. Sendo assim o mundo tem acesso ao Amor da Trindade, em nossas vivencias familiares. 

É muito importante para as crianças desde pequenas, crescerem em um ambiente onde elas alimentem sua espiritualidade. Será que a criança intende? É como amamentar a criança ainda não sabe o que é o leite, mas toda mãe sabe que antes de entender ela precisará se alimentar para crescer e se desenvolver. A oração deve ser adaptada a cada idade, é como o alimento, mas o que não podemos é deixar de alimentar. A primeira infância é um lugar privilegiado para marcar corações com o selo do céu, quando ficamos adultos nossa memoria e nossas vivencias vão se tornando seletivas, na primeira infância não, temos uma terra fecunda para semear a "Boa semente". 

        Em resumo nossa espiritualidade se desenvolve no encontro com Deus, no encontro com o outro, e no encontro com sigo mesmo. Esse três fatores são de grande importância para que nossa espiritualidade seja autentica. Como bem nos lembra São João em sua carta: "Se alguém afirmar: 'Eu amo a Deus', mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê" (I Jo 4,19-20).

        Uma verdadeira espiritualidade traz grandes benefícios as famílias em seus desafios cotidianos. Quando os problemas sobrevêm, uma família que alimenta sua espiritualidade de forma saudável, terá sempre em sua coração "tudo nessa vida passa". A espiritualidade direciona nossas preocupações para o que de fato tem valor, para que cada dia mais nossa vida seja Dom para o outro. Como sempre nos alerta o Papa Francisco precisamos desenvolver em nosso meio a cultura do encontro. Pois nos esbaramos muito e nós encontramos pouco, e a espiritualidade exige uma escavação mas profunda.  Paz e bem!

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